Guia de Desaceleração e Autocuidado

Outubro Rosa | um convite para respirar, desacelerar e olhar para si com mais gentileza

Este material foi preparado para que você tenha em mãos pequenas práticas de autocuidado emocional. Ele não substitui acompanhamento psicológico, mas pode te ajudar a desacelerar, perceber seus sinais e se reconectar com você mesma.

  • Para repetir em casa
  • No seu ritmo
  • Nada aqui é guardado
Allana Lisboa, psicóloga, sorrindo em seu consultório

Quando tudo entra no automático

Muitas vezes, a vida vai pedindo tanto da gente que, sem perceber, entramos no modo resolver: resolver trabalho, casa, filhos, rotina, pendências e problemas dos outros. Quando isso acontece por muito tempo, podemos continuar funcionando… sem necessariamente estarmos bem.

resolver, resolver, resolver… e respirar

Perguntas para perceber como você está:

  1. Quanto do meu dia tem sido gasto apenas resolvendo coisas?
  2. Em que momentos tenho funcionado no automático?
  3. O que meu corpo tem tentado me mostrar?
  4. O que está pesado demais para mim hoje?
  5. O que eu estou carregando que talvez precise ser dividido?
Lembrete importante

Autocuidado nem sempre é fazer mais uma coisa. Muitas vezes, ele começa quando você consegue perceber o que está te fazendo mal.

Régua da tensão

Faça antes e depois da respiração e repare na diferença: marque agora, antes de respirar, e volte aqui depois. De 0 a 10, quanto de tensão você sente no corpo neste momento?

0 · corpo todo solto10 · corpo todo travado

Pode ter descido, pode ter ficado igual, pode até ter subido. Tudo isso é informação sobre você. Nada aqui é guardado.

Respiração diafragmática

A respiração diafragmática é uma forma simples de ajudar o corpo a desacelerar e reduzir o nível de ativação. Ela pode ser útil em momentos de ansiedade, tensão, pressa mental ou dificuldade para se reconectar consigo mesma.

Como fazer

  1. Sente-se ou deite-se em uma posição confortável.

  2. Coloque uma mão sobre o peito e a outra sobre o abdômen.

  3. Inspire devagar pelo nariz, percebendo mais a barriga subir do que o peito.

  4. Conte mentalmente: 1, 2, 3, 4.

  5. Solte o ar lentamente pela boca, em um tempo um pouco maior: 1, 2, 3, 4, 5, 6.

  6. Repita esse movimento por alguns ciclos, sem forçar.

6 ciclos, mais ou menos 1 minuto.

Solte o ar mais devagar do que puxou, sem prender.

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Quando usar

  • Antes de dormir
  • Em momentos de estresse
  • Quando perceber o corpo em alerta
  • Quando precisar diminuir o ritmo

Se sentir tontura ou desconforto, volte à respiração natural e retome apenas se se sentir bem.

Saindo do estado de alerta

Às vezes, o corpo continua funcionando em posição de luta por tempo demais. Soltar conscientemente algumas regiões do corpo pode ajudar a diminuir a tensão e aumentar a sensação de presença.

Pequeno relaxamento corporal

Se possível, feche os olhos ou apenas baixe o olhar. Faça uma respiração tranquila e perceba, aos poucos:

  • Deixe que desçam um pouco.

Você não precisa estar o tempo inteiro em posição de luta para conseguir lidar com as coisas.

Pergunte-se: do que o meu corpo está precisando agora?

O que eu tenho carregado?

Quando a sobrecarga aumenta, fazer perguntas certas pode ajudar a organizar o que se sente e perceber melhor os próprios limites.

  1. Pergunta 1 de 5

    Isso realmente precisa estar nas minhas mãos o tempo inteiro?

    Não precisa responder. Só deixe a pergunta chegar.
  2. Pergunta 2 de 5

    Eu preciso resolver isso agora?

    Não precisa responder. Só deixe a pergunta chegar.
  3. Pergunta 3 de 5

    O que é meu… e o que eu aprendi a carregar?

    Não precisa responder. Só deixe a pergunta chegar.
  4. Pergunta 4 de 5

    O que aconteceria se eu me tratasse com a mesma compreensão que ofereço aos outros?

    Não precisa responder. Só deixe a pergunta chegar.
  5. Pergunta 5 de 5

    Se o meu corpo pudesse me pedir uma coisa hoje, o que ele pediria?

    Não precisa responder. Só deixe a pergunta chegar.
1 de 5

Sinais de alerta emocional

Nem sempre o sofrimento aparece de forma óbvia. Às vezes ele vai se mostrando aos poucos, nos detalhes da rotina.

  • Irritação constante
  • Choro frequente
  • Dificuldade para dormir
  • Vontade de se afastar de todo mundo
  • Cansaço persistente
  • Ansiedade que não desliga
  • Falta de prazer nas coisas
  • Sensação de estar dando conta de tudo, mas por dentro estar exausta

Se esses sinais duram semanas e atrapalham o seu dia, vale conversar com um profissional de saúde mental.

Perceber os sinais antes de chegar ao limite também é uma forma de cuidado.

Pedir ajuda também é autocuidado

Pedir ajuda não significa fraqueza. Muitas vezes, é justamente uma forma de prevenção e cuidado. Nem sempre precisamos esperar chegar ao limite para buscar apoio.

Ilustração em aquarela de duas mulheres conversando com carinho, uma tocando o rosto da outra, com balões de fala acima.

Frases que podem ajudar

  • “Eu não estou bem e preciso conversar.”
  • “Tem sido difícil lidar com tudo sozinha.”
  • “Hoje eu preciso que alguém me escute.”
  • “Preciso de ajuda para atravessar esse momento.”
  • “Eu não sei explicar tudo, mas sei que não estou bem.”

Um pequeno exercício final

Pense, por um instante: o que você está precisando receber de você mesma neste momento?

Toque nas palavras que fizerem sentido. É só para você ver: nada é guardado.

Cuidar de si pode começar com uma percepção. E perceber isso já é um movimento de cuidado.

Em momentos de muito sofrimento

CVV 188, 24 horas, ligação gratuita (cvv.org.br). Emergência: SAMU 192.

Falar com a Allana

Sou psicóloga e atendo presencial e online. Se você quiser continuar esse cuidado com acompanhamento, me chama.

Allana LisboaPsicóloga · CRP 13/8560

Se preferir, procure outra profissional ou o atendimento do SUS.